Angelino - o anjinho distraído
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Isabel Parolin escreveu em 02/08/2010

O Tesouro do Menino.

Estava sentada a beira do mar, tendo como única preocupação cuidar da minha neta que brincava, procurando conchinhas e pedrinhas “maravilhosas”, entre as ondas e a areia da praia. Eu tinha como tarefa avaliar e, se fosse o caso, armazena-las num baldinho que estava ao meu lado.

Despreocupadas de tudo, não notamos que estávamos sendo observadas.

Fui surpreendida por um menino que, de chofre, veio correndo e afirmou vitorioso:

- Olha só o que eu achei!

Olhei para o “trunfo” daquele menino e fiz-me de admirada exclamando:

- Que beleza! Onde você encontrou isso?

Minha neta, percebendo o que estava acontecendo, foi logo se aproximando e examinando, com um olhar que avalia e desacredita no que aquele menino tão triunfalmente exibia.

Ele tinha consigo a casca de um siri que, em seu colorido formoso, parecia uma concha do mar muito especial e valiosa.

Minha neta lançou olhos invejosos para aquele menino “intrometido” e olhou suplicante para mim, pedindo ajuda.

Nem bem consegui entender o que estava acontecendo, o pai do menino aproximou-se, sentou-se conosco e foi logo sugerindo:

- Filho, leve a menina até aonde você encontrou essa concha!

Minha neta olhou-me pedindo permissão e logo indo, com a clara intenção de não perder a oportunidade ímpar que batia a sua porta.

Voltaram entristecidos e o menino perguntou ao seu pai:

- Não encontramos mais dessas conchas… Aonde mais poderia ter? Você sabe, pai?

O pai não se fez de rogado e foi logo afirmando:

- Sei sim. Perto daquelas pedras deve ter. Procurem lá.

Novamente o insucesso e minha neta já olhava para a concha do menino, certamente arquitetando uma forma de “ganha-la”.

- Não conseguiram? Que pena! Afirmou, entre solidário e resoluto, o pai. Deve ser porque, hoje, o mar esta mais cuidadoso com seus tesouros. Amanhã, quem sabe, vocês possam achar… É uma questão de não desistir e de ficar tentando!

- As duas crianças se olharam e consentiram indo correndo procurar outras coisas, menos raras.

Em meio a isso tudo, eu só estava esperando a hora em que meus conhecimentos de educadora e de avó, que acolhe, consola e direciona deveriam entrar em ação. No entanto, fiquei apenas assistindo, atentamente, tudo que ia acontecendo.

Aliás, tudo que bem aconteceu!

Para não ficar completamente sem função, acabei oferecendo uma rodada de picolé, o que foi bem aceito por todos.

Enquanto eu os via brincando, fiquei pensando em todo o percurso do episódio: no menino com seu triunfal “tesouro”; na minha neta e sua boa inveja; no pai que estava atento e presente e em como a situação se desenrolou e foi conduzida…

Senti uma admiração e uma gratidão profunda por aquele jovem pai, que me permitiu ser avó e conclui que o verdadeiro tesouro daquele menino era o seu pai. Um pai presente, atento e conhecedor… Um tesouro de pai – um pai educador!

[...] This post was mentioned on Twitter by Renato Cavalher, dicadoangelino. dicadoangelino said: Parabéns a todos os pais. Nossa homenagem neste dia é um texto bem bacana da Isabel Parolin: http://migre.me/13c3O [...]

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