Angelino - o anjinho distraído
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Isabel Parolin escreveu em 12/05/2010

Um minuto de silêncio!

Estava trabalhando com um grupo de professoras quando acabara de sair o veredicto final do julgamento de um crime hediondo e de repercussão nacional: o da menina Isabela. Pretendia trabalhar e passar as bordas desse episódio, já que nada mais se podia fazer. Já era fato consumado. Contudo, uma professora trouxe o tema ao grupo e assim manifestou-se:
“Essa história do pai e da madrasta terem matado a menina Isabela mexeu muito comigo”. “Senti-me muito incomodada, por tudo que a história traz e, principalmente, pela covardia do pai e pela fragilidade e “desproteção” da criança nas mãos da madrasta e do pai…” continua ela, pensativa. “Tantas crianças sofrem violência em seus lares… vindas de pessoas despreparadas, descontroladas e ignorantes… Como protegê-las?”
Fiquei em silêncio, pensativa também. A seriedade/reflexiva do grupo me emocionou. Acredito que fizemos um minuto de silêncio pela morte dessa menina e de todas as outras de que nem soubemos, sem termos combinado.
Outra professora, igualmente pensativa, continuou falando como se fosse o mesmo discurso, tamanha a sintonia que se fez, naquele silêncio/reflexivo, entre as professoras: “Esse caso ficou conhecido, mas quantas crianças sofrem em seus lares sem saber a quem recorrer? Talvez, sejamos nós as únicas pessoas que poderiam ajudar… Nós acabamos sabendo o que acontece em casa, mesmo que seja de forma indireta…”
Outra professora engatou na fala da colega e prosseguiu: “Aconselhei uma mãe, nessa semana a ter mais paciência com a filha. Expliquei que bater não adianta nada, não educa e ainda por cima ensina a ser violento. Mas sabe o que a mãe me disse? Que ela tinha entendido tudo que eu tinha explicado, mas que não sabia como fazer isso em sua casa, quando estava com seus filhos… Me senti inútil! É tão difícil! Como? Como ter paciência! Como ter tempo? Como se controlar na hora da pressa e da raiva? Como!”(levanta os braços como que para louvar ou pedir ajuda dos céus!)
Nós educadores podemos ajudar, e muito. Por isso é tão importante os pais recorrerem à escola quando se sentirem perdidos e precisando trocar idéias. A escola é lugar de profissionais que estudam a educação e lá é possível trocar idéias. Ninguém tem uma resposta pronta e certa, mas podemos construí-la a partir da partilha verdadeira. As professoras presentes, apesar do sentimento de impotência, sabiam como aconselhar e encaminhar novas e melhores ações.
Não podemos deixar de ajudar quando percebermos que as relações entre pais e filhos vão mal, e, em último caso, até denunciar. Situações de final trágico trazem esse gosto amargo na boca e a sensação de que, talvez, pudéssemos ter ajudado a construir um fim diferente.

[...] This post was mentioned on Twitter by Renato Cavalher, dicadoangelino. dicadoangelino said: Caso Nardoni. Uma reflexão sobre o papel da escola na questão da violência doméstica: http://migre.me/JEp7 [...]

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