Compromisso e cuidado
A cada 4 horas, uma criança morre vítima de acidente no Brasil. Os acidentes representam a principal causa de morte de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos em nosso País. Apesar de parecer uma ocorrência comum na rotina da criança, o acidente pode sim vir acompanhado de conseqüências graves como o surgimento de seqüelas e até a morte. E esse perigo pode estar em qualquer lugar: na brincadeira de rua, na hora do banho, dentro da própria casa.
Segundo o Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes (2008), da Organização Mundial de Saúde e Fundo das Nações Unidas, cerca de 830 mil crianças morrem por ano vítimas de acidentes no mundo.
No Brasil, 5.300 crianças morreram e cerca de 140 mil foram hospitalizadas em 2007 (Ministério da Saúde), devido a acidentes como atropelamento, acidente de carro, afogamento, sufocação, queimadura, queda, intoxicação e outros. Para atendimento desses acidentes foram gastos cerca de R$ 63 milhões somente no Sistema Único de Saúde (SUS), em 2005.
A criança está mais exposta aos riscos dos acidentes que os adultos por suas características físicas, emocionais e de desenvolvimento motor. De acordo com a idade, os tipos de acidentes mudam, mas as lesões continuam a ser graves e muitas vezes fatais.
Elas têm o tamanho pequeno, por isso conseguem entrar em pequenos espaços, eletrodomésticos grandes e até atravessar os bancos do veículo em uma freada ou colisão, se estiverem sem cinto ou cadeirinhas de segurança. O centro de gravidade das crianças é mais alto, na altura do peito, por causa do tamanho da cabeça, por isso têm maior tendência a quedas.
De forma geral, a estrutura física é frágil e o crânio ainda não está completamente fechado. As barreiras de proteção normais do corpo proporcionam menor defesa às crianças, em comparação aos adultos. As crianças imitam os adultos, são curiosas e, até os três ou quatro anos, tem a tendência de explorar os ambientes pela boca. Além disso, não têm medo, não reconhecem os perigos e não sabem se livrar de uma situação de risco. Por exemplo, bebês presos entre uma cama e a parede adjacente podem sufocar, porque eles não conseguem erguer-se e retornar à superfície da cama. Da mesma forma, crianças que estão aprendendo a andar e caem de cabeça num balde com água, podem se afogar, porque elas não conseguem voltar a ficar em pé.
Cada um pode fazer a sua parte para proteger as crianças dos riscos. Estudos mostram que 90% dos acidentes podem ser evitados com educação, transformações do meio ambiente, criação e cumprimento das leis.
No Brasil, existe a experiência positiva da ONG CRIANÇA SEGURA que tem como missão promover a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. Gradativamente a CRIANÇA SEGURA atinge um maior número de pessoas que se engajam e multiplicam esta causa por todo o país. Os resultados mostram que é viável mudar a realidade negativa dos acidentes, mas que permanece como desafio fazer desta mensagem uma bandeira de toda a sociedade.
1 comentário [...] This post was mentioned on Twitter by Renato Cavalher. Renato Cavalher said: RT @dicadoangelino: Acidentes com crianças: compromisso e cuidados, por Alessandra Françóia da Criança Segura. http://migre.me/Uur9 [...]
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